REFLEXÃO


Uma Reflexão para o Economista


A expansão da região norte pioneiro paranaense nos anos vinte e trinta do século XX abriu fronteiras para o desenvolvimento.  No início foram abertos os leitos para a passagem da linha férrea, a construção das estações, a extração da madeira, os loteamentos contemplando as primeiras colonizações, as lavouras de café e demais culturas de subsistência.
Nesses anos a ideologia desenvolvimentista era próspera, clara e objetiva. O capital inglês adentrou no norte pioneiro do Paraná e com ele ergueu-se as estações, marco da pujança nacional. Migrantes e imigrantes trouxeram a mão-de-obra e a vastidão de terras de boa qualidade atraiu os investimentos. Dessa forma estavam reunidos os três fatores básicos: terra, capital e trabalho para o desenvolvimento.
  No mundo, em especial no ano de 1929, estourava uma crise da bolsa de Nova Iorque e as ideias para entender o que estava acontecendo eram demasiadamente brandas. No plano econômico Keynes já argumentava suas suposições e em 1936 publica sua Teoria Geral como resposta ao problema do desemprego, do juro e da moeda.
No Brasil, no início dos anos 30 do século XX, Getúlio Vargas era presidente e com ele o desafio de resgatar o atraso econômico e restaurar um país imergido na crise internacional pelo café brasileiro. Em paralelo, no interior do Paraná surgiam investimentos via expansão das ferrovias ano após ano com as estações de trem.

Figura 1 – Estação ferroviária de Cornélio Procópio nos anos 30 do século XX
           Fonte: <http://www.estacoesferroviarias.com.br/pr-spp/cornprocopio.htm>, (2013)

A Figura 1 mostra a estação ferroviária de Cornélio Procópio, que sinalizava naquela época a prosperidade a todas as cidades por onde o trem passava. Felizmente a história faz a memória e dessa forma podemos perceber as lutas e os desafios dos pioneiros numa terra longe dos centros econômicos, das praças financeiras e comerciais, das grandes instituições governamentais, das grandes universidades e do laser proporcionado pelas grandes cidades.
Os pioneiros viam muito além da capacidade dos olhos humanos. Simplesmente o futuro era símbolo da prosperidade e do desenvolvimento. Quase um século após estas conquistas, ainda somos carentes dessa visão, desse otimismo ou mesmo dessa confiança. Ouso afirmar que os homens de hoje, bem mais informados que seus antepassados, têm medo de se arriscar ou mesmo agir. Muitas vezes é preferível aceitar a questionar, muitas vezes é preferível olhar para baixo e seguir adiante do que olhar um pouco mais para o horizonte. Muitas vezes homens que tiveram a oportunidade de mudar e não mudaram simplesmente desanimam outros homens.
Novamente, a História é Memória[1] e vai ao encontro do profissional Economista, pois na sua formação ele adquire variados conceitos de história, de métodos quantitativos e de teorias para enfrentar o grande desafio, o desenvolvimento. O economista pode mudar para melhor o mundo em que vive, pode dar continuação aos sonhos dos pioneiros, mas também pode cruzar os braços, o que por vezes é um tanto comum sobre sua miopia avançada que é retratada na Figura 2.

Figura 2 – Estação ferroviária de Ibiporã no início do século XXI
Fonte: <http://www.estacoesferroviarias.com.br/pr-spp/ibipora.htm>, (2013)

A Figura 2 mostra a estação ferroviária de Ibiporã que foi até pouco tempo um retrato das demais estações que foram desativadas, abandonadas e lastimavelmente culminaram em estado de ruína e abandono. Felizmente, em 2012 tornou-se patrimônio cultural (Figura 3) e resguarda parte do passado que outrora foi esquecida.
  
Figura 3 – Estação ferroviária de Ibiporã no início do século XXI
Fonte: <http://www.tudoibipora.com.br/2011/hp/materia.php?mat_id=1472>, 2013


Assim, como na Figura 3, tudo é passível de revitalização, inclusive o desenvolvimento.


Prof. Me. Ricardo Dalla Costa (UENP-CCP)




[1] História e Memória, livro escrito por Jacques Le Goff em 1988.

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